Entrevistas

Entrevista ao professor Tom Lopes

Entrevista ao professor Tom Lopes


Eu atuo na Educação Básica, como professor efetivo dos Anos Iniciais da Rede de Ensino do Paulista-PE, na função de Técnico Pedagógico. Também atuo no Ensino Superior (nas modalidades presencial e EAD) no curso de Pedagogia e em cursos de pós-graduação. Eu também atuo na formação de brinquedistas pelo Programa Brinqueducar na Prefeitura do Recife-PE, além de realizar assessoria pedagógica e ministrar palestra sobre temas diversos em educação.


Como foi a sua formação ?


Fiz graduação em Pedagogia e pós-graduação em Neuropedagogia na FAFIRE-PE. Me tornei mestre em Educação pela Universidade de Pernambuco-UPE. Atualmente, estou cursando uma pós-graduação em Metodologia do Ensino a Distância.

Atuo com educação há mais de 16 anos e já atuei nos mais diversos Âmbitos da educação, desempenhando funções diferentes e que foram essenciais para a minha compreensão e consciência sobre a relevância da educação na formação das pessoas. Dentre essas experiências, atuei como componente da CEDHCD ? Comissão de Educação em Direitos Humanos, Cidadania e Diversidade/GRE Metronorte-SEDUC-PE. Fui educador Social no Instituto Dom Helder Câmara/Casa de Frei Francisco, atuei como assessor pedagógico na coordenação e execução de projetos culturais e educativos em empresa de Restauração e preservação do patrimônio histórico; fui coordenador pedagógico em espaço bilíngue de atividades extracurriculares, dentre outras.


O que é a neuroeducação ?


De forma geral, a Neuroeducação é o campo de estudo interdisciplinar que reúne os conhecimentos neurocientíficos e a atuação pedagógica. A articulação entre estas duas ciências consiste em promover práticas educativas que estejam fundamentadas no funcionamento do cérebro no momento da aprendizagem, bem como de que forma podemos contribuir para que essa aprendizagem seja efetiva. Eu gosto sempre de dizer que a educação é o universo de significados e sentidos que construímos em nossa existência e, nesse propósito, eu vejo a neuroeducação com sendo uma ciência que pode contribuir para além da aprendizagem escolar, sendo uma possibilidade de transformações na vida dos sujeitos, de forma mais ampla.


Qual o impacto da neuroeducação na sua vida ?

Eu comecei a estudar neuroeducação no ano de 2014, quando atuava como coordenador pedagógico em um espaço bilíngue. Minha ideia, naquele momento, era entender como ocorre a aprendizagem de um segundo idioma e de como potencializar isso. Daí em diante, posso dizer, com toda certeza e satisfação, que a Neuroeducação transformou a minha trajetória profissional. Atualmente, é um dos campos de pesquisa que mais me atraem e me desafiam a repensar a formação continuada e a prática docente.


Fale sobre as possibilidades que podem surgir a partir da neuropedagogia


Com a neuropedagogia o educador(a), antes de tudo, reconhece que a aprendizagem é um produto do cérebro e das sinapses. Isso é necessário, para que pensemos a aprendizagem para além de questões apenas de ordem prática e entendamos que essa aprendizagem é um fenômeno que envolve o sujeito de forma integral. Por isso, passa-se a dar maior ênfase às questões ambientais (ou seja, as influências dos ambientes em que os sujeitos estão inseridos), fisiológicas (se tem dormido bem, se está se nutrindo adequadamente, etc.), afetivo-emocionais (se tem mantido e vivido relações interpessoais saudáveis), as peculiaridades de cada indivíduo (ritmos, características comportamentais), dentre outras. Junto a isso, o professor se coloca no movimento de planejar, executar e reavaliar as suas práticas a partir dessas especificidades que estão em torno dos processos de aprendizagem.


Quais são as dificuldades que você percebe na sua vida profissional como neuropedagogo e como enfrentá-las ?


A neuropedagogia, com este termo, é relativamente recente. Por esta razão, apesar de, no Brasil, os estudiosos sobre a questão já discutirem este assunto há décadas, muitos educadores(as) ou não ouviram nem falar ou ouviram, mas pouco sabem a respeito. Eu penso que este é um primeiro complicador. Outra questão que vale ressaltar é o fato de que, contraditoriamente, ao passo em que alguns educadores e educadoras vão se aproximando mais da neuroeducação, os equívocos e os mitos se propagam com muita força, fazendo com que se crie, neste cenário relativamente novo, muitas confusões que acabam por "colocar em cheque" a validade dessa área de conhecimento (Neuroeducação). Precisamos que os responsáveis pelas políticas de educação promovam não só momentos de formação que tenham o Neuroeducação como foco, mas, sobretudo, o desenvolvimento de pesquisas e projetos nesta área.

Por fim, uma outra ressalva se deve ao fato de que, realmente, ainda estamos "engatinhando" com a Neuroeducação é um dos maiores desafios que nós, neuroeducadores, temos enfrentado é encontrar formas cada vez mais assertivas de transpor os conhecimentos da Neurociência para a realidade das salas de aula e das escolas.



Dicas para as pessoas que desejam fazer cursos e atuar nessa área?


Primeiro, é preciso se certificar se você quer dedicar mais de um ano, que é a duração média dos cursos de pós-graduação, aos estudos nessa área. Decisão tomada? É bacana, em seguida, analisar as instituições de referência na área e comparar custo-benefício. Outro passo é analisar as ementas de alguns cursos e ver quais disciplinas atendem melhor ao que você deseja aprender nesse curso. Ademais, é se organizar e preparar o cérebro para estudar bastante e fazer muitas sinapses novas. ?



Como o cérebro é formado?

O processo é bem complexo, mas, de forma geral, o cérebro é formado ainda no útero materno, quando as células tronco vão se multiplicando e muitas vão se tornar as células que compõem o sistema nervoso, como os neurônios e células da glia. Ao nascer, um bebê já tem um cérebro totalmente formado e com milhões de células nervosas prontas para "aprender o mundo".


Como é o processo de aprendizado no cérebro ?


A aprendizagem envolve muitas questões de ordem interna e externa ao indivíduo. Para que o cérebro aprenda ocorre uma pluralidade de funções complexas que vão desde a recepção dos estímulos multissensoriais, através dos órgãos dos sentidos no sistema nervoso periférico, passam pela decodificação no Sistema nervoso central e suas diversas regiões especializadas até as respostas dadas pelo organismo.

Quando nossos órgãos dos sentidos recebem uma nova informação, novas sinapses (conexão entre os neurônios) se formam. Quanto mais essa conexão é resgatada pelo indivíduo, no dia a dia, mais forte a mesma fica e, portanto, esta nova aprendizagem pode se consolidar. No entanto, para que ocorra aprendizagem efetiva é preciso ter cuidado com outros fatores, a exemplo da alimentação saudável e da qualidade do sono, que, por sua vez, é o grande responsável pela consolidação de nossas memórias, as quais são a base de todo aprendizado.


Como a educação de qualidade ajuda os alunos a terem uma saúde psicológica melhor ?


Como eu venho defendendo em meus escritos, nas palestras e nas aulas que faço, eu acredito que a neuroeducação pode oferecer subsídios para pensarmos o desenvolvimento das pessoas, para além das aprendizagens escolares.

A convivência e um ambiente escolar inclusivo, dialógico e amoroso que provê as condições adequadas para o desenvolvimento integral das crianças e jovens exerce uma influência muito importante e necessária na psique dos estudantes. A neurociência já tem mostrado que relações interpessoais positivas contribuem significativamente para a qualidade das aprendizagens na escola. Além disso, salas de aula onde o respeito ao outro é valorizado e onde há o lúdico como rotina costumam ser ambientes mais saudáveis e harmônicos.

É importante, contudo, que existam políticas em rede que orientem os pais, mães e familiares sobre o que devem fazer para contribuir neste sentido.

"Em cada cérebro há um universo único e especial. O papel do Neuropedagogo é contribuir para o seu desbravamento"

Professor Tom Lopes - Acesse o Instagram do educador Clique aqui

Caso você seja uma pessoa da área da educação, literatura e tenha vontade de participar de uma entrevista ou matéria entre em contato via e-mail: entrevistas@livrosemaislivros.com.br .

Comente este conteúdo